Apenas 4% dos remédios lançados combatem as doenças tropicais

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Doenças negligenciadas: só 37 dos 850 remédios lançados no mundo desde o ano 2000 são voltados ao tratamento de moléstias como dengue, malária ou mal de chagas

Equipe Micro in Foco

Para a OMS, essas moléstias, que afetam 1,5 bilhão de pessoas em 149 países por ano, não recebem a devida atenção da indústria farmacêutica

Só 37 dos 850 remédios lançados no mundo desde o ano 2000– ou 4% do total — são destinados às chamadas doenças tropicais, tais como malária, mal de chagas, dengue, diarreias e tuberculose. Além disso, só 2.016 dos 148.445 testes clínicos registrados no período (1,3%) foram dedicados a essas moléstias. Foi o que concluiu um estudo realizado em conjunto por cientistas da Organização Mundial de Saúde (OMS) e de instituições especializadas nessas doenças em países como Suíça, França e Inglaterra. A cada ano, as doenças tropicais afetam nada menos do que 1,5 bilhão de pessoas em 149 países ao redor do planeta. “Nossos achados demonstram uma insuficiência persistente no desenvolvimento de drogas e vacinas para as chamadas ‘doenças negligenciadas’”, afirmam os autores do levantamento, publicado no periódico científico The Lancet. Segundo eles, o pouco interesse da indústria farmacêutica se deveria ao baixo retorno financeiro garantido pelos medicamentos lançados nessa área.

As bases de dados usadas pelos pesquisadores em seu estudo foram os registros da European Medicines Agency (EMA) e da FoodandDrugAdministration (FDA), dos Estados Unidos e incluíram todos os produtos aprovados entre 1º de janeiro de 2000 e 31 de dezembro de 2011, além de dados das agências regulatórias de 21 países, incluindo o Brasil.

Apesar dos achados, os autores reconhecem que houve um ligeiro avanço da indústria farmacêutica no campo das doenças tropicais, já que nos 25 anos anteriores ao estudo (de 1975 a 1999), apenas 1,1% dos medicamentos aprovados destinavam-se a essas enfermidades, que costumam afetar países de baixa renda, onde figuram entre as principais causas de mortalidade.

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http://www.thelancet.com/journals/langlo/article/PIIS2214-109X(13)70078-0/fulltext?rss=yes